Trabalhadores realizam protestos contra os juros altos

 



Trabalhadores e trabalhadoras estão realizando protestos em diversas cidades do Brasil, para pressionar o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), a baixar o índice da taxa básica de juros (Selic). O índice está em 13,25%, patamar que mantém o juro real da economia brasileira como o mais elevado do mundo. O Copom está em reunião para decidir se mantém ou altera a Selic. Analistas econômicos têm feito previsões na imprensa de um corte de 0,5 ponto percentual (p.p.).

Em São Paulo, a manifestação ocorre em frente à sede do BC, na avenida Paulista, no chamado centro financeiro da cidade. O secretário-geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Gustavo Tabatinga, que participa do ato, disse em seu discurso que “o presidente do BC, Campos Neto, tem que sair já, pois ele não representa o governo do momento, ele representa o governo que passou, ele representa o retrocesso e o que está para trás, pouco emprego e baixa atividade econômica. Se Campos Neto sai, o juro cai”.

Bancários na luta

Desde fevereiro, a Contraf-CUT tem realizado protestos nas ruas e nas redes sociais contra a política monetária adotada pelo BC desde 2021. Naquele ano, o Copom iniciou uma série de aumentos da Selic, que saltou de 2% para 13,75%, percentual mantido de agosto de 2022 a agosto deste ano, quando houve redução de 0,5 p.p. no índice. “Essa redução acontece depois de intensa pressão dos movimentos sociais, da sociedade e do governo federal”, lembra a presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira.

O movimento sindical avalia que a redução precisa ser ainda maior, para que a Selic fique abaixo de dois dígitos, pelo menos. “Nossa campanha é por emprego e renda, porque a Selic elevadíssima reflete nas taxas de juros cobradas pelas instituições financeiras no crédito, o que prejudica o investimento produtivo e atrapalha a economia”, explica Juvandia, que também é vice-presidenta da CUT.

Dieese mostrou que, cada ponto percentual na taxa Selic significa um aumento do custo anual da dívida pública de cerca de R$ 38 bilhões. “Estamos falando de mais dinheiro, do Estado brasileiro, pago, em sua maioria, para instituições financeiras, que são as maiores detentoras hoje dos títulos da dívida pública, portanto, menos recursos para infraestrutura, educação e saúde”, completa Juvandia.

Fonte: Contraf-CUT

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